Revista Êxito na Educação

Meditação Laica Educacional e o Professor

por Claudiah Rato

Olá, Professor! Nessa edição quero convidá-lo a uma reflexão importante para entendermos melhor o desespero e a angústia que experimentamos em sala de aula diante da indisciplina e falta de atenção de nossos alunos!

Nosso sistema educacional está fundamentado numa política oriunda do período da Revolução Industrial (assista “Mudando Paradigmas Educacionais – Ken Robinson no YouTube acessando esse link: http://youtu.be/DA0eLEwNmAs). Naquela época, precisávamos de pessoas qualificadas e treinadas para o mercado emergente de trabalho nas indústrias que, por sua vez, estavam mudando a realidade econômica. A boa escola, para uma economia de mercado, tinha como maior mérito uma metodologia capaz de preparar qualquer pessoa, independente de raça ou credo para sustentação desse mercado.

Durante um período da nossa história isso foi democrático e necessário. Permitiu que pessoas comuns, súditos ou plebeus, conquistassem uma vida relativamente segura e confortável.

Atualmente, vivemos um momento histórico muito diferente. E, assim como o surgimento das indústrias mudaram a configuração das cidades e da vida dos cidadãos, hoje, o surgimento e aperfeiçoamento rápido da tecnologia dos meios de comunicação em rede mudou a vida das pessoas e, acredito que em um futuro que pode estar bem próximo, mudará também a configuração das cidades.

Toda essa mudança alcança a sala de aula mas esta, por sua vez, pouca coisa mudou. Nossas salas de aula parecem setores de linha de injeção de conhecimento para preparar nossos alunos para o mercado de trabalho. Que mercado? E que trabalho?

Em sala de aula, somos professores de uma época em que o telefone celular era uma novidade e alguns de nós ainda descíamos para brincar no play, lidando com crianças que não convivem com as crianças do bairro e que talvez a escola seja o único lugar seguro (embora muitas vezes essa segurança seja brutalmente violada) onde elas possam se encontrar e conviver socialmente para além de suas famílias.

Os assuntos e a linguagem de nossos alunos são frontalmente estranhos e novos para nós, professores. E, no entanto, quando nos encontramos em sala de aula nosso assunto deve estar absolutamente restrito às disciplinas e nossa didática restrita a uma metodologia de treinamento e passagem de conteúdo eficaz para uma realidade do século passado! A distribuição dos alunos em sala de aula e o sinal do final do recreio mais parecem o apito da fábrica para retornarem às suas linhas de produção. Dentro desse contexto penso que a falta de atenção e interesse dos nossos alunos seja um sinal saudável de rejeição ao velho e ultrapassado!

As práticas pedagógicas são, em sua maioria, orientadas por métodos dirigidos a criar estratégias para passagem de conhecimento. O sujeito aluno, criança que passa os anos escolares durante o desenvolvimento de sua personalidade e individualidade e, de quem exigimos responsabilidade, não tem nenhuma atenção. Ele faz parte de um coletivo, sem rosto, sem voz, sem alma.

A Profa. F. Vallim, que atende entre outras turmas, o oitavo ano do Ensino Fundamental, declara em seu trabalho para o I Seminário de Meditação Laica Aplicada (Outubro, 2013):

“Também percebi que tal prática (a meditação laica educacional), junto às falas dos alunos, favoreceu a minha percepção do espaço escolar e a identificação de que ele carece de mudanças. A sala de aula do segundo segmento do Ensino Fundamental precisa ser mais acolhedora.”

Recentemente, um professor comentou comigo que a meditação laica educacional em suas primeiras aplicações em sala de aula o levou a enxergar o indivíduo para além do aluno em sala de aula. Antes era um coletivo indiferenciado de crianças desatentas e barulhentas! Natural, era assim comigo também antes da criação da técnica da Meditação Laica Educacional (MedLaica) e isso é transformador.

Sem implicar no extermínio das práticas pedagógicas atuais como vemos acontecer em algumas iniciativas educacionais alternativas, a MedLaica abre um caminho paralelo e transdisciplinar que possibilita a criação de estratégias, sem transgredir nosso sistema educacional, para se desenvolver o sujeito do aprendizado e não o aprendizado no sujeito. Particularmente ajudá-lo a se educar emocionalmente.

Portanto, o que é relevante na proposta da MedLaica é que estamos diante da possibilidade de se instrumentalizar o professor com uma estratégia pedagógica relativa a vivências internas e pessoais do aluno dentro do processo educativo de modo a contemplar a atual necessidade dos currículos escolares abarcarem saberes necessários, porém ainda ausentes, para uma Educação do Século XXI.

Um Professor Meditador Laico é muito mais do que apenas saber aplicar uma técnica de resultados. Ele resgata o seu valor por reconhecer o seu lugar no mundo, sua função como professor e sua missão como educador. Um professor meditador laico é um revolucionário amoroso no sistema escolar, é transformador da relação professor aluno para Paz e o Respeito através do silêncio revelador!

 
Claudiah Rato (acervo pessoal)Claudiah Rato (Claudia Maria de Luca) é psicóloga e Mestre em Ciências da Educação, Es­pe­cialista em Problemas do De­sempenho escolar e desen­vol­veu a técnica da Meditação Lai­ca Educacional ao longo de 26 anos. Autora do livro "Me­di­­ta­ção Laica Educacional" (2012).  Website: meditacaonaeducacao.com.br

Vídeo sugerido no artigo:
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Mudando Paradigmas Educacionais – Ken Robinson