Revista Êxito na Educação

Meditação Laica Educacional e a Adolescência

Orientado para uma educação cujo fim deve ser a formação de uma sociedade capaz de superar os obstáculos produzidos por visões unidimensionais, Morin et al.(2009) defende que temos que avaliar honestamente até onde podemos sustentar a esperança diante da desesperança. Na disciplina de Educação Física, da qual sou professora e onde surgiu a prática da meditação laica, conteúdos subjetivos como a autoestima, a cooperação, a criticidade, respeito coletivo, autonomia e solidariedade obtiveram destaque como conteúdos a serem desenvolvidos e avaliados a partir da mobilização do Colégio Pedro II para a construção do novo Projeto Político Pedagógico (2000-2005). Embora alguns autores (Perez 1997; Trent; Russell & Cooney, 1994; Sacristan, 1975) incluam a autoimagem e o autoconceito como alguns dos fatores importantes de serem levados em conta, também, para o bom rendimento escolar, qualquer conflito interno emocional vivido por nossos alunos não encontra assistência educacional formal a não ser quando já se tornou um problema. Os setores de orientação educacional nas escolas, na maioria das vezes, agem como harmonizadores desse tipo de conflito interno quando ele já escapou ao controle do aluno atingindo a esfera social. Esse campo dentro do complexo mundo psíquico do ser humano não costuma responder à objetividade necessária à medição e avaliação exigida pelos currículos educacionais.

A preocupação com práticas pedagógicas que aperfeiçoem a habilidade do aluno em controlar suas emoções deram origem a prática da Meditação Laica Educacional®. O aluno do Ensino Médio, por exemplo, enfrenta desafios que vão muito além do que apenas as mudanças nos aspectos físicos (crescimento, maturação sexual) componentes da puberdade que são vivenciados de forma semelhante por todos os indivíduos, independente da sociedade ou cultura. Do ponto de vista da nossa sociedade, seu desempenho escolar é, praticamente, a única referência para uma avaliação do seu caráter em construção e na garantia de um futuro feliz. No entanto, é interessante notar que quando o jovem é perguntado sobre o que o fará feliz, Zagury (2002) publica:

“Felicidade para nós é, primeiramente ficar com a pessoa que amamos, em segundo lugar construir ou pertencer a uma família que se entenda bem e viva harmoniosamente, e, em terceiro, ter um trabalho que remunere bem. Só assim poderemos nos dizer realizados” p.240.

Ou seja, surpreendentemente, para um futuro cidadão julgar-se realizado, na palavra dele mesmo, prioritariamente, ele deve ter habilidades que garantam bons relacionamentos e, apenas em terceiro lugar um trabalho que o remunere bem.

Durante esse período de construção de sua personalidade é psicologicamente natural e saudável que ele busque a aprovação como validação da personalidade que está desabrochando. Se somente o ambiente externo, visível e mensurável fosse suficiente para dar conta da construção das atitudes pessoais desse jovem, o sistema de aprovação e reprovação destas seria também suficiente para que a escola cumprisse seu papel na formação de um cidadão equilibrado e consequentemente uma sociedade pacífica e justa. No entanto, há algo interno àquele aluno que ele não abre mão por mais que seja reprovado pelo ambiente escolar. Ao contrário, ele se encaminha para o ambiente que o aprove, ou para outros mecanismos de fuga tais como, o amortecimento das drogas que o denunciarão refém de um conflito que ele não aprendeu a lidar.

O surgimento do tema da meditação laica emerge dentro desse contexto e apesar de ter surgido como modalidade da disciplina de Educação Física, em virtude dos seus surpreendentes resultados, a meditação laica educacional é hoje uma estratégia didático-pedagógica que pode ser utilizada por professores de qualquer disciplina em qualquer nível de ensino. Cada professor que é qualificado nessa tecnologia é convidado a se tornar um professor pesquisador que aplica e coleta resultados com uma metodologia orientada ao longo de um percurso de tempo para que se possa constatar de uma forma mais sólida, o efeito da prática da Meditação Laica Educacional como estratégia didático-pedagógica no aumento do controle emocional e, consequentemente na geração de jovens que consigam operacionalizar os conhecimentos adquiridos não só para ingressarem no mercado de trabalho mas para serem mais tolerantes, respeitosos das diferenças pessoais e culturais e principlametne, mais felizes.


Claudiah Rato (acervo pessoal)Claudiah Rato (Claudia Maria de Luca) é psicóloga e Mestre em Ciências da Educação, Es­pe­cialista em Problemas do De­sempenho escolar e desen­vol­veu a técnica da Meditação Lai­ca Educacional ao longo de 26 anos. Autora do livro "Me­di­­ta­ção Laica Educacional" (2012).  Website: meditacaonaeducacao.com.br