Revista Êxito na Educação

Meditação Laica Educacional: a revolução que você estava esperando

Provavelmente, esta é a primeira vez(1) que você se depara com o termo Meditação Laica Educacional e isso não é por acaso.

Vou contar um pouco dessa história. Tudo começou em 2002. Nesse ano, já com 18 anos de magistério, concluo minha graduação em Psicologia pela PUC –Rio de Janeiro. Na mesma época, fervilhavam as discussões sobre o novo Projeto Político Pedagógico no Colégio Pedro II, onde leciono. Philippe Perrenoud torna-se popular na escola com seu conceito de competência, a saber: “Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para solucionar uma série de situações” e, na disciplina de Educação Física, a autoestima, a cooperação, a criticidade, respeito coletivo, autonomia e solidariedade obtiveram destaque como conteúdos a serem desenvolvidos e avaliados.

No entanto, minhas observações indicavam que, ainda, diante de uma circunstância de estresse e pressão emocional, não há êxito em desenvolver o autocontrole como competência necessária para evitar um comportamento que pode colocar todos esses valores acima em derrocada fazendo emergir uma atitude violenta e antissocial. E, vale destacar, isso se dá independente da habilidade do aluno no esporte ou do seu desempenho escolar. Para minha prática a questão que se impunha era: Como ajudar o aluno a desenvolver controle emocional para valer-se das competências adquiridas de modo a se relacionar de forma harmoniosa no exercício pleno de sua cidadania?

Agora eu convido você leitor a refletir comigo. Perceba que, como seres humanos, ao nascermos recebemos e aprendemos, prioritariamente, todos os cuidados físicos necessários ao nosso crescimento e desenvolvimento corporal. Após alguns anos, entramos para escola onde recebemos e aprendemos todos os conhecimentos necessários para um bom desenvolvimento cognitivo e intelectual, porém, ao longo da vida não recebemos nenhum cuidado formal com nosso desenvolvimento emocional. Sendo assim, no ambiente escolar o propósito do preparo para o exercício da cidadania, conforme prevê a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96), fica seriamente comprometido pela ausência de uma educação emocional.

Pelo atual processo educacional podemos nos tornar doutores em determinado saber e, no entanto, ignoramos nossa dinâmica emocional a ponto de termos pouco ou nenhum controle sobre ela, fato que compromete o comportamento equilibrado tanto para atitudes desportivas quanto para o estabelecimento de relações harmoniosas no exercício pleno da cidadania.

Assim, nascida do ventre das minhas aulas de Educação Física do Ensino Médio, na busca de responder a questão colocada acima, essa estratégia foi sendo co-criada ao longo de quatro anos, junto a esses alunos, seguindo a mais atual metodologia em pesquisa social, a pequisa-ação.  Apesar de a meditação ser uma prática milenar em algumas culturas e de, mesmo recentemente, estar sendo aplicada nas escolas por inciativas como a do cineasta David Lynch, ela nunca antes foi configurada com um contorno didático- pedagógico laico construída com a voz do usuário (aluno) como no nosso caso.

Na edição seguinte vamos falar mais de como o aluno pode e deve ser ouvido e considerado dentro do processo educacional sem que se perca o respeito e o reconhecimento do lugar do professor regente.  Vamos mostrar como a meditação laica educacional responde à necessidade da introdução do “sujeito cognoscente” na construção do conhecimento de onde ele foi excluído por um “objetivismo epistemológico cego” – nas palavras de Edgar Morin. Até breve!

(1) A edição anterior desta publicação foi totalmente dedicada à Meditação na Educação, de modo que é bem provável que tenha sido a segunda vez que você ouviu falar da MLE. (N. do E.)

Claudiah Rato (acervo pessoal)Claudiah Rato (Claudia Maria de Luca) é psicóloga e Mestre em Ciências da Educação, Es­pe­cialista em Problemas do De­sempenho escolar e desen­vol­veu a técnica da Meditação Lai­ca Educacional ao longo de 26 anos. Autora do livro "Me­di­­ta­ção Laica Educacional" (2012).  Website: meditacaonaeducacao.com.br

Cinema e Educação (1)

Capa do DVD "Sociedade dos Poetas Mortos"Sociedade dos Poetas Mortos

Dirigido por Peter Weir, Sociedade dos Poetas Mortos tornou-se um clássico do gênero, provavelmente pela impecável descrição de um sistema retrógrado e falido de ensino na Inglaterra e ambientado num colégio interno.

O sucesso atribuído ao filme decorreu também do pensamento visionário de seu criador e não à toa seu lançamento aconteceu no início de 1990, embora o filme se passe em 1959. Coincidência ou não, o fim da Guerra Fria e uma consolidação da Democracia e Globalização também aconteciam. Sociedade dos Poetas Mortos traz consigo uma valorização da liberdade de expressão de uma subjetividade propositalmente escamoteada. E também um enorme convite e incentivo à poesia e toda sua importância.

Ano II - Número 7

Capa da edição 7 da Revista Êxito na Educação, de março a maio de 2014

SUMÁRIO

Editorial

Existem muitos tipos de drogas: lícitas e ilícitas, químicas e comportamentais. Discutir sobre as drogas é fundamental, mas é preciso prestar atenção tantos aos preconceitos quanto os discursos apologéticos sem fundamento. É preciso evitar dos vícios de linguagem aos discursos viciosos, das ideias fíxas aos pensamentos tóxicos que tanto encontramos em debates sobre o tema.

Nesta edição, o debate sobre as drogas a partir de um breve panorama de Cynthia Dorneles é a matéria de capa. Longe de esgotar o assunto, mas apresentando-o de uma forma direta como um convite ao debate, o texto merece ser lido e discutido, dentro e fora de sala de aula. Cynthia elenca os principais ângulos mediante os quais podemos e devemos abordar o tema.
Claudiah Rato, nossa entrevistada da edição anterior, inicia sua série de artigos sobre a Meditação Laica Educacional, e Ana Carolina Grether aborda três filmes emblemáticos - A Sociedade dos Poetas Mortos, Entre os Muros da Escola e Paulo Freire Contemporâneo (documentário) - e suas relações com os temas pungentes da educação.

A Revista encontra-se numa nova fase, sendo reformulada em muitos aspectos. Sendo assim, aguardem mais novidades!
Boa leitura a todos e todas!

Ricardo Paes, editor
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Drogas: um breve panorama

por Cynthia Dorneles


Algum dia, quando a descriminalização
das drogas for uma realidade,
os historiadores olharão para trás
e sentirão o mesmo arrepio
que hoje nos produz a Inquisição
(Javier Martinez Lazaro, juiz penalista, Madri Espanha)

Não falar sobre as drogas não modifica a realidade de que hoje a maioria dos seres humanos as consomem, sejam elas lícitas ou não. Além disto recentemente, aqui nas Américas, o Uruguai e dois Estados norte-americanos (Washington e Colorado) regulamentaram o comércio da droga para uso recreativo, o que por um lado representa um grande avanço social mas igualmente uma grande responsabilidade para todos nós.

É preciso falar de drogas sim. E falar de uma forma mais franca do que o que se tem falado até agora em geral. Colocando todos os pontos nos i a que se tem direito, educar para conscientizar, sem alarmismos. Nem elogiando nem demonizando. Ser imparcial como poucos conseguiram até o momento, em que até clínicos compram um discurso mais esburacado que queijo suíço, que revela mais preconceitos do que qualquer informação objetiva.


Cynthia Dorneles (foto: Acervo Pessoal)


Afinal, há comprovações de que o ser humano usa drogas desde as cavernas e a tendência é que surjam mais e mais drogas no futuro. Temos de aprender a conviver com elas, para que nos causem o menor dano possível e o máximo de benefícios, naquilo que delas pudermos extrair de bom. Temos de estudar e perceber como expandirmos nossa consciência de forma a nos ajudar e estudar políticas mais eficientes para controlar o uso inevitável de substâncias psicoativas.