Revista Êxito na Educação

A meditação na cura, no trabalho e na escola

por Ricardo Alexandre O. Mendonça

Desde pequeno tinha interesse por coisas ditas místicas e sempre lia muito, gostava da revista “Geográfica Universal”, que meu pai assinava. Nascia minha paixão pelas viagens ao exterior. Imaginava aqueles países distantes, suas línguas, culturas e crenças. Contudo comecei a sentir um desejo de realizar viagens ao meu próprio interior.

Sempre pratiquei e pratico esportes até hoje e por volta dos meus 20 anos fui fazer yoga pela primeira vez. Passei alguns anos sem praticar, mas já estava bem familiarizado com algumas técnicas de meditação e visualização. Senti que estava faltando alguma coisa, de modo que voltei ao antigo ritmo e nunca mais parei, pois construí uma egrégora para onde me retiro para recarregar as baterias, recuperar meu centro, minha concentração, minha saúde, meu equilíbrio e minha paz.

Como psicólogo sempre tive a necessidade de explorar técnicas não-convencionais (em termos ocidentais) de tratamento e educação. As técnicas que usualmente denominamos meditativas são empregadas no oriente há milênios e isto explica em grande parte a riqueza cultural desses povos e a profundidade da vida interior que cultivam. Vivemos no ocidente excessivamente na exterioridade das coisas. Então, movido por este interesse crescente, além dos cursos regulares de graduação, pós e mestrado, fiz cursos de hipnoterapia, psicossomática, terapias corporais, etc. Meu trabalho com adultos sempre se manteve constante; e em paralelo a ele atuei como psicólogo escolar, organizacional, bem como atendendo adolescentes em consultório.

Fui à Índia em 1991 pela primeira vez e me encantei com a fartura de ofertas de treinamentos em Yoga, Meditação e retiros das mais variadas modalidades. Quando voltei comecei a praticar a meditação de modo mais assíduo, chegando ao ponto de acordar uma hora antes apenas para realizar minhas práticas. Este hábito ainda mantenho até os dias de hoje.

Desde então fui outras vezes, inclusive ao Nepal e comecei a praticar com mais intensidade, tanto no que tange ao tempo da prática, como também à variedade das técnicas e respirações. O que posso observar em minha vida é uma grande mudança no sentido do equilíbrio emocional, bom humor, paz mais constante e uma maior facilidade para resolver pequenos e grandes problemas. Atualmente viajo regularmente para buscar um aprimoramento maior e constante. A meditação tornou-se para mim um “alimento”. Não vivo mais sem este alimento diário, por menos tempo que pratique ao dia.

Comecei também a introduzir alguns poucos minutos da técnica no atendimento clínico. Os resultados foram muito bons e os pacientes que meditavam estes poucos minutos comigo, sempre cobravam a prática. Também, a transportaram para suas vidas no dia a dia, e os benefícios foram visíveis.

O que vemos hoje são mais e mais instituições sérias como a UFRJ e a USP, por exemplo, introduzindo práticas de meditação em diversos de seus campos de estudos. A quantidade de publicações que trata do tema de maneira científica é enorme. Em função disto também, desta necessidade de divulgar a meditação, criei o site Meditação Rio (www.meditacaorio.com.br), onde apresento não só algumas técnicas, como também sugiro leituras, mostro filmes e faço o agendamento de workshops nos níveis mais básicos até os mais elaborados e de maior grau de dificuldade.

Meu foco de trabalho é a aprendizagem de vida e a saúde dos indivíduos. Na escola, por exemplo, a prática com crianças deve sempre ser precedida de técnicas físicas e respiração, para o “acomodamento” da musculatura que sustentará a coluna ereta durante a prática. Além disso, podemos usar, mesmo durante a meditação, algumas ferramentas que possibilitam uma maior integração, respeito, afeto e concentração, que se refletem na aprendizagem e desenvolvimento das habilidades latentes. No caso dos professores, é evidente a melhoria na capacidade para lidar com o estresse prevenindo contra a chamada síndrome de Burnout - um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso -, além de proporcionar mais energia e leveza na transmissão do conhecimento.

Na empresa observamos uma diminuição dos erros nos processos de trabalho e aumento da qualidade do clima e relacionamento entre as equipes, além do desenvolvimento da saúde e redução de faltas por doenças.

Pessoas ansiosas, raivosas, deprimidas ou que sofrem de muitos outros transtornos “normais” nos dias de hoje, se beneficiam de maneira bastante evidente quando começam a praticar a meditação. E não pensemos que a prática é somente a tradicional, sentado com a coluna ereta. Podemos meditar caminhando, no ônibus, no metrô, no avião, na praia, enfim, em qualquer lugar. As técnicas são muito variadas e as finalidades também. A meditação mais tradicional é a meditação silenciosa, mas a partir dela podemos entrar por caminhos variados e muito férteis de saúde e alegria de viver!

Ricardo Alexandre de Oliveira Mendonça é psicólogo clínico (CRP. 05/12192 RJ), especialista em educação e mestre em psicologia pela PUC/RJ. É também professor de meditação e yoga, professor universitário e consultor em Recursos Humanos. Telefones: (021) 2255-6470 / 9.9492-1557 - E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - Website: www.meditacaorio.com.br