Revista Êxito na Educação

Educação: é preciso meditar

Capa da Edição 6 da Revista Êxito na Educação (Ano I - Janeiro-Fevereiro de 2014)Sumário:


As experiências bem sucedidas em educação costumam destacar-se de duas formas distintas: ou as escolas são eficientes no cumprimento de uma agenda voltada para a excelência - quase sempre orientada ao mercado e construída nos estritos cânones do capital - ou são libertárias, propõem a mudança e a transformação a partir da educação da sensibilidade, da imersão em propostas pedagógicas centradas no indivíduo inserindo-o num contexto solidário, colaborativo, criativo e mais humanizado. Estas últimas podem até defender em seus projetos político-pedagógicos uma mudança de paradigma, uma visão sistêmica que transforme a sociedade numa realidade mais justa e menos desigual, porém com frequência são capturadas pela lógica daquelas primeiras.

Meditando Em Águas Profundas com David Lynch

Capa do livro por Ana Carolina Grether

O encantamento gerado pelo impacto da leitura de Em águas profundas – Criatividade e Meditação de David Lynch acontece primordialmente por nele estar contida a visão e a experiência pessoais de um artista de amplo espectro: artista plástico, cineasta, produtor, músico e ator ocasional. Seu livro acerca da Meditação Transcendental (MT) é marcado por um caráter pessoal, descritivo, sobre suas experiências como cineasta, sua vida privada, sobre como a meditação o ajudou profissionalmente, de onde partem suas ideias, seu processo criativo do esboço até o desenvolvimento a posteriori, bem como no tocante a Meditação e sua quase religião.

A meditação na cura, no trabalho e na escola

por Ricardo Alexandre O. Mendonça

Desde pequeno tinha interesse por coisas ditas místicas e sempre lia muito, gostava da revista “Geográfica Universal”, que meu pai assinava. Nascia minha paixão pelas viagens ao exterior. Imaginava aqueles países distantes, suas línguas, culturas e crenças. Contudo comecei a sentir um desejo de realizar viagens ao meu próprio interior.

Sempre pratiquei e pratico esportes até hoje e por volta dos meus 20 anos fui fazer yoga pela primeira vez. Passei alguns anos sem praticar, mas já estava bem familiarizado com algumas técnicas de meditação e visualização. Senti que estava faltando alguma coisa, de modo que voltei ao antigo ritmo e nunca mais parei, pois construí uma egrégora para onde me retiro para recarregar as baterias, recuperar meu centro, minha concentração, minha saúde, meu equilíbrio e minha paz.

Como psicólogo sempre tive a necessidade de explorar técnicas não-convencionais (em termos ocidentais) de tratamento e educação. As técnicas que usualmente denominamos meditativas são empregadas no oriente há milênios e isto explica em grande parte a riqueza cultural desses povos e a profundidade da vida interior que cultivam. Vivemos no ocidente excessivamente na exterioridade das coisas. Então, movido por este interesse crescente, além dos cursos regulares de graduação, pós e mestrado, fiz cursos de hipnoterapia, psicossomática, terapias corporais, etc. Meu trabalho com adultos sempre se manteve constante; e em paralelo a ele atuei como psicólogo escolar, organizacional, bem como atendendo adolescentes em consultório.

Educação solidária e cooperativa: uma “prece” que não espera vir de cima

Educação é direito do cidadão e dever do Estado, mas há regiões onde o Estado não consegue alcançar e oferecer as condições mínimas para as demandas existentes. Em 2014 completam 20 anos de um programa inovador, o PRECE - Programa de Educação e Células Cooperativas - que surgiu na comunidade rural de Cipó em Pentecoste, sertão do Ceará, quando 7 jovens fora da faixa etária escolar passaram a estudar e conviver numa velha casa de farinha. Na época (1994) contaram com a ajuda, nos finais de semana, do professor Manoel Andrade, contudo a ideia básica era estudar de forma solidária e cooperativa, enfrentando a precariedade da região e das ofertas de ensino. Dois anos depois, um de seus membros, Francisco Antônio Alves Rodrigues, era aprovado em primeiro lugar para o curso de pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Envelhecer “em cima do salto”

por Alzira Costa

O organismo humano, desde sua concepção até a morte, passa por diversas fases: desenvolvimento, puberdade, maturidade e envelhecimento. O envelhecimento manifesta-se por declínio das funções dos diversos órgãos que, caracteristicamente, tende a ser linear em função do tempo, não se conseguindo definir um ponto exato de transição, como nas demais fases.

Na atualidade, a sociedade encontra-se diante de uma situação contraditória. De um lado defronta-se com o crescimento massivo da população de idosos, fruto do aumento da expectativa média de vida da raça humana, e de outro lado omite-se ou adota atitudes preconceituosas em relação ao velho e à velhice, retardando a implementação de medidas que poderiam minorar o pesado fardo dos que ingressaram na terceira idade.

Vale lembrar que não podemos cometer o equívoco de considerar todas as pessoas como iguais porque estão na mesma faixa etária. A saber, a idade cronológica nem sempre é compatível com as demais que são: a idade emocional, cognitiva e social. A vida não se resume apenas a marcadores biológicos, o indivíduo possui, além do organismo, várias dimensões que interagem e influenciam o tempo todo no processo de envelhecer.

A Beleza e a Mulher

por Cynthia Dorneles


De onde vem nosso desejo pelo belo? E por que as mulheres vieram se escravizando a esta noção de beleza, a ponto de várias se submeterem a cirurgias de risco e morrerem no processo?

Freud tem em relação à beleza uma posição ambígua como nos indicam alguns parágrafos do seu livro “Mal Estar na Civilização”.  Ele situa a fruição da beleza não apenas como fonte de felicidade mas como algo tenuemente intoxicante, entretanto diz que “A beleza não conta com um emprego evidente; tampouco existe claramente qualquer necessidade cultural sua. Apesar disso a civilização não pode dispensá-la” (Freud, Sigmund, in Mal Estar na Civilização, p.90). E ele constata que belo é o que atrai o olhar.  

“A estética como um saber ou uma disciplina da Filosofia surgiu no século XVIII quando o filósofo alemão Alexander Baumgarten elaborou a primeira teoria estética sistemática. Baumgarten introduziu o termo estética inspirando-se na palavra grega aisthesis que deve, corretamente, ser traduzido por sensação ou percepção sensível.” (Medeiros, Sergio Aguiar in Estética Angústia e Desejo, p. 69)