Revista Êxito na Educação

Ano I - Número 4

Capa da Revista Ano I Número 4Editorial

Nesta quarta edição entre­vis­tamos o ator, dramatur­go e diretor Dinho Valla­da­res que levanta ideias muito úteis para todos que militamos com a Educação: em que medi­da pode o Teatro, e mais especi­fi­camente as técnica do Impro, ajudar na educação da sensibili­dade de nós todos, incluindo mes­tres e alunos de todas as áreas?

 


"Tem gente que não vê saída. Eu, improviso!"

A modalidade de encontro que o teatro proporciona pode ajudar a transformar a mentalidade de alunos e professores, ampliando seu domínio corporal, sua auto-expressão e ousadia para a inovação?
O papo com Dinho aconteceu em meio aos Campeonatos de Impro­­visação que rolam na sede da Cia de Teatro Contemporâ­neo, fundada por ele em 1998:  I Campeonato de Iniciantes ,o IX Campeonato Carioca, o IV Campeonato Brasileiro e II  Internacional. Convidamos os leitores a conhecerem de perto o trabalho desenvolvido pela Cia em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, assistindo aos espetá­cu­los, às competições de impro­visação e também frequentando seus cursos livres ou profissio­nalizantes de teatro.



A culpa é da mulher?

Cynthia Dornelles, escritora, cantora, psicanalista e cientista social nos oferece mais esta reflexão sobre um tema infeliz­men­te menos discutido do que deveria, seja na grande impren­sa, seja em sala de aula: o que há por trás da culpabiliza­ção da mulher nas situações em que é vítima e o quanto os direitos sobre seu próprio corpo ainda não são uma realidade.


Quando a greve da Educação vira caso de polícia

Ao fecharmos esta edição, pro­gramada para tratar em sua ma­téria de capa sobre Teatro e da Educação, assistimos a truculên­cia com que o Estado vêm tra­tan­do os professores. Precisa­mos refletir sobre a radical inver­são de valores quando assis­ti­mos professores sendo espan­ca­­dos e seus direitos sorrateira­mente suprimidos em projetos de lei votados às pressas. Um artigo da professora Wiria Alcântara, da atual gestão do SEPE-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ), fornece um quadro da situação na perspectiva dos professores.

Leia também:


Boa leitura!

Ricardo Paes, Editor
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Quando a greve da Educação vira caso de polícia

por Wíria Alcântara

Desde o dia oito de agosto que os profissionais de ensino das redes estadual e municipal do RJ se encontram em greve. Em pauta as antigas discussões que envolvem reajuste salarial, plano de carreira e melhoria nas condições de trabalho, assumem novas roupagens num cenário de contrarreformas e de reestruturação da natureza da escola pública, organizadas no Rio de Janeiro pelos governos do PMDB e seus secretários economistas, Risolia e Costin.

O projeto de submeter a educação pública aos interesses das classes dominantes não é novo, tampouco a tentativa de alijar as classes populares do domínio crítico dos saberes, como forma de mantê-las sob controle dos poderosos. Entretanto o que vivenciamos hoje é a tentativa de imposição dessa máxima da forma mais perversa possível, através da força desmedida e da violência.

A culpa é da mulher


Cynthia Dornelles

A Marcha das Vadias - originalmente Slutwalk - é um polêmico movimento pós-feminista que surgiu a partir de 3 de abril de 2011 em Toronto, Canadá. Surgiu porque um policial encarregado do caso de estupro de várias estudantes da Universidade de Toronto afirmou que os abusos cometidos tinham como razão o fato de as jovens usarem roupas provocantes. Desde então estas marchas acontecem no mundo todo com as moças usando peças provocantes, minissaias ou até nudez parcial.

Um dos slogans da Marcha deste ano era simples: “Cadê o homem que engravidou, por que o crime é da mulher que abortou?” Segundo estimativas do Ministério da Saúde em 2010 havia um número que ia de 729 mil e 1,25 milhão de mulheres que se submetem ao aborto voluntário anualmente no Brasil. Destas, pelo menos 250 morriam. Certamente este número deve ter aumentado, afinal estamos em 2013: o ano em que o Papa veio ao Brasil e fez seu papel de Papa que é o de se declarar contra o aborto.

Num gráfico distribuído pela internet de uma organização que se intitula Orgulho de Ser Feminista, é relatado que 66% das mulheres que se submetem ao aborto são católicas, 64% são casadas, 81% têm filhos. Como uma pesquisa destas é realmente difícil de ser realizada, pois a mulher que faz um aborto dificilmente relata que o fez, primeiro por ser considerado crime e também por envolver um assunto ainda tabu (sexualidade e intimidade) escolho acreditar neste gráfico, mesmo sem saber como foi feita esta pesquisa, se há imparcialidade nela, exageros ou o quê. Acho simplesmente muito provável que seja isto mesmo, ou que seja quase isto.

Sendo assim podemos deduzir que as mulheres que fazem aborto colocam em risco sua liberdade antes de tudo (podendo ser presas), suas próprias vidas (os lugares onde hoje são
praticados os abortos muitas vezes não têm a menor condição de higiene para cirurgias deste calibre), suas reputações e, caso sejam católicas, preferem o inferno a um filho indesejado.

Quando uma mulher prefere arriscar sua vida, ir para a cadeia e para o inferno por toda a eternidade a ter um filho é porque definitivamente ela está disposta a tudo para não cumprir o que a natureza desejaria dela. A natureza, os Papas, os Bispos e todos os homens e mulheres que arbitram que ela não tem direito à escolha acabam sendo destronados por um ato da vontade da mulher de não ser uma mera reprodutora, o ato desesperado de um aborto ilegal provocado.

Mídia e Educação

Carta de Ponta Grossa de Mídia e Educação

Considerando que a educação para usar as mídias com autonomia e criticidade é um fator fundamental para que pessoas de todas as idades e nações possam exercer o direito humano universal à liberdade de expressão, entendido como o direito de ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, e independentemente de fronteiras;

Considerando que o desenvolvimento tecnológico possibilitou a construção de conhecimentos em rede através das diferentes mídias e potencializou práticas culturais colaborativas e compartilhadas;

Considerando que o acesso às mídias e aos seus conteúdos permanece desigual, e que as possibilidades de produção e circulação de seus conteúdos não é praticada pelos diversos atores sociais;

Considerando, como já afirmou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova no Brasil, que as forças econômicas de um país não se desenvolvem sem o “preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à invenção e à iniciativa” e que as chamadas indústrias criativas ganham cada vez mais importância no cenário global;