Revista Êxito na Educação

Ano I - Número 2

Capa da 2a edição da Revista Êxito na Educação (mai/jun-2013)

Nesta segunda edição damos as boas vindas ao gaúcho Marcelo Müller que aborda em "Cotas Sociais: solução ou problema?" a nova Lei promulgada ano passado para facilitar o acesso às universidades daqueles que delas sempre estiveram alijados, sublinhando os principais prós e contras envolvidos no debate. O grande desafio desta política pública e ação afirmativa é reduzir desigualdades históricas sem comprometer a qualidade do ensino oferecido. Muitas opiniões ficaram de fora, claro - mas esperamos que os comentários dos leitores na versão online ajudem a ampliar a discussão.

Em entrevista com o filósofo, ensaísta e escritor carioca André Queiroz, nos perguntamos, afinal, "Quem tem medo do ensino da Filosofia no Ensino Médio?", onde são esgarçados alguns aspectos por trás do significado e função da filosofia como "ferramenta crítica" - e muito além do utilitarismo em que o próprio ensino médio imergiu, dirigido que é para a desembocadura do vestibular.

Em "Reforço escolar para quem? Alunos ou escola?" conversamos sobre alguns dos motivos que levam tantos alunos - e talvez também suas escolas - a lançar mão aulas de reforço ou de apoio extra. A coordenadora de um curso na zona sul do Rio tenta indicar algumas respostas. Seu nome, Delymar Cardoso.

Nossa seção Clipping traz uma seleção de notícias de interesse sobre assuntos relacionados à educação. A partir desta edição, a talentosa ilustradora Paula Vieira nos brinda com suas ilustrações.

 

Lei das Cotas: solução ou problema?

A Lei das Cotas (nº 12.711, de 29 de agosto de 2012), sancionada pela presidente Dilma Rousseff, suscita polêmicas. Segundo ela, até 2016 terão direito à metade das vagas nas universidades públicas federais os alunos que cursaram todo o ensino médio fora da rede particular, sendo ainda 50% desse percentual sujeito a subdivisões por critérios de ordem socioeconômica e étnico-racial. Essa determinação deve ser cumprida até 30 de agosto de 2016, mas já em 2013 as instituições têm que separar 25% da reserva prevista, ou 12,5% do total de vagas para esses candidatos.

A polarização de opiniões ocorre por diversos fatores. Há quem a considere danosa, por ser uma atitude populista/eleitoreira, ou porque, em tese, agravaria ainda mais a discriminação. Sob tal ótica, o mérito - representado por testes e outras avaliações - ainda seria a melhor maneira de triar quem deve ou não frequentar o ensino superior. No entanto, há ainda aqueles que a consideram extremamente benéfica, não apenas pela correção de injustiças históricas, mas também e, sobretudo, por oportunizar às camadas sociais menos favorecidas o aprendizado superior que, por conseguinte, elevaria o padrão educacional do país como um todo.

Reforço escolar pra quem? Alunos ou Escola?

A resposta parece óbvia – a maioria talvez responda que reforço escolar destina-se aos alunos. Outros talvez reflitam que se os alunos precisam de reforço, talvez o problema esteja na escola. A conclusão a que chegamos é que existe uma crescente oferta de aulas de reforço, estudo dirigido, acompanhamento escolar e cursos preparatórios que talvez expressem os problemas por que a escola como um todo vem passando: turmas com cada vez mais alunos, professores despreparados e mal remunerados, um currículo e um sistema de avaliação herdados do século dezenove e que muito pouco têm a ver com as exigências do século vinte e um. Em meio a este quadro desalentador despontam inúmeras alternativas, uma multiplicidade de saídas. Não se pode mais pensar em um sistema único, menos ainda para um país continental como o nosso, com tamanha desigualdade social e diversidade cultural.