Revista Êxito na Educação

Notas baixas? O problema pode ser de saúde

Falta de atenção, desinteresse pelo assunto e dificuldade no aprendizado, o que acaba refletindo em notas baixas. Muitas dessas situações são causadas por problemas de visão e audição, que muitas vezes passam despercebidos

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia revelam que 7% das crianças que entram no Ensino Fundamental possuem alguma dificuldade de visão. A Sociedade Brasileira de Otologia estima que 2% das crianças em idade escolar sejam portadoras de deficiência auditiva que exigiriam o uso de aparelhos de amplificação sonora. Segundo a organização, de 10 a 15% das crianças em idade escolar são portadoras de deficiência auditiva leve, ou seja, apresentam até 30% de diminuição auditiva.


Glauber Cavalcati, oftalmologista do Hospital Balbino (RJ), membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, alerta que a falta de sintomas e de exames regulares é um dos motivos de o Brasil hoje ter cerca de 30 mil crianças cegas e mais de 80 mil com baixa visão. O especialista diz que os pais e professores devem ficar atentos para diagnosticar o probema. “Se a criança tomba a cabeça para um dos lados quando presta atenção em algo, tem dor de cabeça ou nos olhos frequentemente, esfrega os olhos após esforço visual e fecha um dos olhos em locais ensolarados é sinal de que pode estar com deficiência visual”, alerta o médico.

Já o otorrinolaringologista Fernando Portinho, chefe do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital São Francisco da Tijuca (RJ) e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, assegura que quanto mais cedo os problemas auditivos forem descobertos, menores serão as chances dessas crianças desenvolverem problemas na fala, ou até de ficarem surdas. “Repare se o seu filho troca fonemas na escrita, possui dificuldades de aprendizado, não reage a barulhos fortes ou se mostra isolado. Esses sintomas podem ser sinais de problemas de audição”, explica Portinho.

Elsa Ennes, orientadora educacional do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), em Botafogo (RJ), diz que casos de problemas auditivos e de visão são bastante comuns entre as crianças, que costumam ficar dispersas e agitadas diante dessas dificuldades. Ela conta que, no CIC, os professores quando percebem alguma alteração comunicam ao Serviço de Orientação Educacional. “Acompanhamos mais de perto esses alunos e, posteriormente, convocamos a família para falar de nossa suspeita e sugerir acompanhamento de profissionais de saúde. A família é mais uma vez convocada pela equipe do colégio para dar retorno com relação ao diagnóstico médico”, explica Elsa Ennes.


Carolina Laert, SB Comunicação

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