Revista Êxito na Educação

Ano I - Número 1

Capa da 1a Edição da Revista Êxito na Educação (Mar/Abr-2013)A Revista Êxito na Educação vem juntar-se aos que militam pela causa da educação pública, gratuita e de qualidade, acessível a todos os brasileiros independente de sua etnia ou condição social. A Revista (além da versão impressa) oferece esta versão online e interativa - exitonaeducacao.com.br - que apresentará textos e imagens complementares ao material impresso.

Ganharemos corpo e alcance com o tempo e a inestimável ajuda de nossos anunciantes parceiros, a quem aproveitamos para agradecer a confiança depositada no projeto. Embora com distribuição ainda restrita ao centro e a zona sul da cidade do Rio de Janeiro, estará disponível para download na íntegra aqui.

Como se livrar do peso das mochilas?

Todos os anos, o assunto recorrente entre pais e mães com filhos em idade escolar é o peso da mochila e os males que isso causa para a saúde. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovam que 85% da população sofrem de dores nas costas causadas pelo uso incorreto da mochila durante a infância e a adolescência. Segundo Adalto Lima, chefe da Ortopedia do Hospital Badim (RJ) e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia, a quantidade de material escolar pode comprometer a postura da criança e agravar problemas já existentes como a hiperlordose, hipercifose e a escoliose. O médico recomenda: “a regra básica para não piorar as complicações na coluna é nunca deixar que o peso da mochila ultrapasse os 10% do peso corporal da criança, conforme recomenda a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.”

Buscando dar uma solução para o problema, algumas escolas disponibilizaram armários para os alunos guardarem seu material. É o caso do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), em Botafogo. Monica Carvalho, coordenadora do Ensino Fundamental, conta que os pais concordaram com a atitude, para minimizar o problema: “Os livros e cadernos permanecem na escola, nos armários disponibilizados em cada sala de aula. Esse material só é enviado na mochila em caso de tarefa ou para alguma situação relacionada a estudo”. Mônica Carvalho diz ainda que a escola incentiva o uso de mochilas com rodas e que os alunos usem as rampas para chegarem as salas de aula.

Como se adaptar a nova escola, novos professores e amigos?

Volta às aulas

Dados do Censo revelam que cerca de 20% dos alunos abandonam o colégio entre o ensino fundamental e o ensino médio por problemas de adaptação

As férias estão acabando e para aqueles que estão iniciando a vida escolar, mudando de escola ou passando do ensino fundamental para o médio, essa transição pode provocar medo e insegurança. Dados do Censo Escolar 2012 mostram que cerca de 20% dos alunos matriculados nos sistemas público e privado de ensino abandonaram as salas de aula no ano passado, principalmente por problemas relacionados à dificuldade de adaptação entre uma fase e outra da vida escolar.

Na transição da primeira para a segunda etapa do ensino fundamental, por exemplo, ocorrem muitas mudanças. Em alguns colégios, o horário passa a ser obrigatoriamente matutino; a professora que criava laços afetivos com cada aluno cede lugar a professores de várias matérias; e o grau de exigência aumenta.

Notas baixas? O problema pode ser de saúde

Falta de atenção, desinteresse pelo assunto e dificuldade no aprendizado, o que acaba refletindo em notas baixas. Muitas dessas situações são causadas por problemas de visão e audição, que muitas vezes passam despercebidos

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia revelam que 7% das crianças que entram no Ensino Fundamental possuem alguma dificuldade de visão. A Sociedade Brasileira de Otologia estima que 2% das crianças em idade escolar sejam portadoras de deficiência auditiva que exigiriam o uso de aparelhos de amplificação sonora. Segundo a organização, de 10 a 15% das crianças em idade escolar são portadoras de deficiência auditiva leve, ou seja, apresentam até 30% de diminuição auditiva.

iPad-a-gogia

João é um dos 75.000 professores da rede pública estadual do RJ e ganha R$ 1.451,00 mensais(1) e comprou um cobiçado Ipad que custará, a prazo, R$ 2.399,00 (2) (ou seja, 1,65 meses de salário) após a quitação das doze prestações sem juros de R$ 199,92 na rede de supermercados Extra. João leciona História e sente-se um privilegiado, apesar da despesa mensal que pesa em seu orçamento e de sua relativa consciência da extrema fetichização da mercadoria. Seu modelo é branco, um iPad 2, 3G, da Apple com 64Gb, Wi-Fi, Bluetooth, Câmera HD, Acelerômetro, Bússola Digital, tela de 9,7 polegadas e sistema operacional iOS 4! João está radiante com seu novo brinquedo!

O seu iPad foi fabricado para a Apple pela Foxconn Longhua, na cidade de Shenzhen, em Taiwan. A fábrica é uma verdadeira cidade com seus 240.000 trabalhadores, sendo que 50.000 residem no campus em dormitórios compartilhados. Apesar de toda a infraestrutura oferecida a esta multidão de trabalhadores, as estruturas desta ‘cidade-fábrica’ são protegidas por redes para evitar a série de suicídios que vêm afligindo a empresa desde 2010 (ano em que o iPad foi lançado). Com um faturamento anual de 80 bilhões de dólares (3), a Apple Inc., empresa criada por dois Steves (o Jobs e o Wozniak) e por Ronald Wayne em 1976 na Califórnia, cria, depois de 34 anos, o famoso tablet apresentado em 27 de janeiro de 2010 e lançado nos EUA em abril do mesmo ano – atingindo a marca de 20 milhões de unidades vendidas. No ano seguinte (2011), foram vendidos mais 40 milhões e hoje já representa mais da metade do mercado mundial de tablets(4).

Boa parcela dos componentes que integram o iPad vem do Japão e, com o terremoto em 2011, uma crise de fornecimento começou a surgir no horizonte da empresa(5); afinal, a tela retina display é fabricada pela Samsung, cujo chip controlador é da Texas Instruments (onde Jack Kilby, Prêmio Nobel de Física de 2.000 o inventou em 1958); já o chip de comunicação é da Broadcom, o chip do Wi-Fi e do bluetooth são da Fairchild Semicondutor International, o chip da rede celular é da Quadcomm, a memória é da Toshiba e as câmeras da OmniVision(6).

João às vezes se pergunta se não deveria ter resistido às intensas pressões sociais e de marketing e fazer um uso mais racional de seu suado dinheirinho. Contudo, preferiu fazer um download gratuito de um e-book d’O Capital de Marx usando um aplicativo da AppStore.

Referências:
(1) Piso salarial dos professores estaduais – disponível em 22/04/2012: http://vai.la/2KWe
(2) Cotação do iPad – disponível em 22/04/2012: http://vai.la/2KWc
(3) Sobre a Foxconn – disponível em 22/04/2012: http://vai.la/2KWd
(4) Sobre a Apple – disponível em 22/04/2012: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apple
(5) Crise no fornecimento de componentes – disponível em 22/04/2012: http://vai.la/2KW9
(6) A economia do novo iPad – disponível em 22/04/2012: http://vai.la/2KWb

Ricardo Paes é editor da Revista Êxito na Educação - http://www.ricardopaes.com.br

As novas armas dos índios

Tecnologias são as novas "armas" para a educação de jovens indígenas no sul da Bahia

Na OCA Digital, indígenas se apropriam das tecnologias em benefício próprio

Ao longo do ano de 2012, 62 estudantes Tupinambá, além de convidados de outras etnias indígenas, vivenciaram atividades de arte-tecnologia dentro do projeto OCA Digital, em Olivença (Sul da Bahia). A prática, focada na apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para utilização em benefício de suas comunidades, vem dando um salto qualitativo no processo educacional e de autorreconhecimento dos jovens indígenas. O projeto OCA Digital é realizado pela Thydêwá e Cardim Projetos e Soluções Integradas, com o Patrocínio da Telefonica e Vivo; conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia; e apoio da Cambuí Produções, do Pontão Esperança da Terra, e do Programa Cultura Viva/Ministério da Cultura.

O projeto foi iniciado em fevereiro, com uma apresentação introdutória do mundo virtual para os indígenas professores da Escola Estadual Indígena Tupinambá de Olivença (EEITO). “O projeto teve como base o REA – Recursos Educacionais Abertos, o qual disponibiliza conteúdos e produtos na internet, pois trabalharemos com as diferentes licenças da Creative Commons. Acreditamos que a Cultura tem muito a contribuir com a Educação, pois faremos valer a Lei 11.645, que obriga, desde 2008, ao ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena em escolas do Ensino Fundamental e Médio”, explica uma das coordenadoras do Projeto OCA DIGITAL, Márcia Cardim.