Revista Êxito na Educação

Confluências entre magia, filosofia, ciência e arte: A ONTOLOGIA ONÍRICA de Nelson Job

Capa do livro Ontologia Onírica de Nelson Job“Kant, através da racionalidade estabeleceu, ao fim da Crítica da Razão Pura, os limites do pensamento racional com os noumenos em oposição aos fenômenos ou além deles e com suas antinomias. Job estabelece através na sua Ontologia Onírica os limites da crítica pós-moderna”. - Luiz Pinguelli Rosa

“Nelson nos lembra que essa fantasia cientifica é uma veste que não precisamos usar como um disfarce. Porque lá dentro, onde os transaberes se comunicam e crescem, todos parecemos nus. Não despojados de nossas vestes, mas despojados dessas categorias que sufocam a razão e impedem que o sentimento aflore”. – Mário Novello

“Em um mundo cindido em diversos conhecimentos e interligado de forma perversa pela economia - espelho reverso da multiplicidade de saberes separados - urge explicitar a necessidade dos transaberes”. É com essa intenção que o doutor e pós-doutorando em História das Ciências, das Técnicas e Epistemolo­gia/UFRJ, psicólogo e professor Nelson Job busca evidenciar de forma ímpar as relações históricas e conceituais entre três campos do conhecimento, construindo um conceito original e prático. Em Confluências entre magia, filosofia, ciência e arte: A Ontologia Onírica (Editora Cassará), Job conecta o Hermetismo, a Filosofia da Diferença e a Ciência Moderna,Mecânica Quântica, Teoria do Caos, Cosmologia e algumas teorias especulativas – atravessados pela arte. Define o estatuto de realidade dos sonhos, seu desdobramento nas confluências dos saberes, e faz emergir assim os chamados transaberes – “a transdisciplinaridade em devir aplicado à vida".


“Assim, o sonho inicia toda a magia, como diz Zambrano, mostrando aqui que a magia percorre todo o saber, a filosofia, a ciência, mas também as artes, seja através de Philip K. Dick (é dele provavelmente a mais fina reflexão acerca da realidade), Kafka, Charlie Kaufman, Christopher Nolan, Borges. A magia e a arte são as primeiras versões da almejada assimilação dos sonhos, sendo que a magia recorre a práticas que atravessam o atual. Nessas práticas está o bojo da ciência, e da apreensão desses processos emerge a filosofia. Sonho-magia-filosofia-ciência, enfim, Ontologia Onírica: despertar no sonho, que é realidade. Enfim, toda ação humana é uma história da assimilação onírica”, afirma o autor.

O livro de estreia de Job é apresentado por dois grandes pensadores da ciência: assina o prefácio o físico e Diretor da COPPE/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, e o texto de orelha o professor emérito e fundador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (ICRA/ CBPF), Mário Novello, um dos maiores cosmólogos brasileiros. Para Pinguelli Rosa, “o livro, tal como foram a dissertação de mestrado e a tese de doutorado de Job, é provocador e polêmico”. Já Novello afirma que Job “nos leva a um outro olhar sobre saberes tortuosos e perigosos, esses saberes que possuem paixão, aquilo que torna grande o poeta, o filósofo, o verdadeiro cientista”.

A investigação empreendida pelo autor resulta em outros novos conceitos além da ontologia onírica: a transcendência a posteriori, diversa das antigas escolas do conhecimento e que explicita os limites do conceito do devir; a imagem intensivo, novo conceito a partir dos conceitos de Deleuze sobre o cinema; e uma nova interpretação acerca de Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Vortex Dorme, Vortex Sonha, Vortex Desperta

Na primeira parte do livro (Vortex Dorme), Job trata dos primórdios da magia, o conceito em sua vertente egípcio-babilônica e seu desdobramento na ciência renascentista; estuda a Filosofia da Diferença, cunhada por Gilles Deleuze, “a corrente mais adequada por servir de ‘diplomata’, facilitadora de trocas e permutas, e permitir o atravessamento destes saberes e de novos conceitos”; e busca entender a hipótese da consciência quântica, “importante vetor a se considerar no estudo da interface entre os fenômenos físicos e mentais”.


Em Vortex Sonha, vai ao encontro da Mecânica Quântica, da meditação, da biologia, das artes e da clínica. E aborda o onirismo a partir do ponto de vista de “amigos atemporais na dura luta contra o clichê”: Bergson, Deleuze, Guattari, Spinoza, Leibniz, Guimarães Rosa, Bernardo Carvalho, Glauber Rocha, Jung.

E na terceira e última parte, Vortex Desperta, Job percorre alguns dos conhecimentos acerca do sonho, para em seguida dar um passo além e consistente para uma ontologia onírica, uma nova teoria dos sonhos, retirando-os do domínio representacional que a psicologia do século XX relegou-os.

Foto Nelson Job by Jaciara Rodrigues

Nelson Job é psicólogo clínico formado pela PUC-Rio, doutor e pós-doutorando em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia\UFRJ, professor e autor dos blogs Cosmos e Consciência (http://migre.me/fVjrB) e Druam (http://migre.me/fVjtf), e membro do corpo editorial da Cosmos e Contexto, revista eletrônica de cosmologia e cultura. Foi coordenador cultural da Casa das Palmeiras. Trecho do livro para degustação: http://migre.me/gdbTK